Museu tem direitos comerciais sobre estátua de David
Decisão é passível de discussão porque Michelangelo morreu há quase 500 anos
A sentença condiciona a exploração comercial da imagem criada pelo mestre renascentista

24 de Novembro de 2017 - 10h37
Uma polêmica sentença judicial tomada na Itália atribuiu os direitos comerciais sobre as imagens da famosa estátua de David, esculpida há cinco séculos por Michelangelo (1475-1564), a um museu de Florença. A sentença condiciona a exploração comercial da imagem criada pelo mestre renascentista à aprovação, caso a caso, pela Galeria da Academia de Florença e ao pagamento dos direitos que seriam devidos. Mas é polêmica porque Michelangelo morreu há quase quinhentos anos — a obra, portanto, poderia, se não deveria, estar em domínio público.

É a primeira vez, em todos esses séculos, que um tribunal italiano se pronuncia sobre o uso, por parte de uma empresa privada, de um dos ícones da arte nos bilhetes de acesso ao museu florentino.

Os juízes não especificaram se a decisão pode ser aplicada aos objetos, cartões postais e souvenires que trazem a imagem de uma das esculturas mais importantes do Renascimento. Ainda assim, para a diretora da Galeria da Academia de Florença, beneficiada pela decisão, trata-se de uma “vitória”. “É um precedente e um modelo para outros museus”, assegurou Cecilie Hollberg, diretora do museu e a pessoa que promoveu a denúncia legal. “Esta é uma vitória para todos os bens culturais da Itália.”

A escultura de mármore branco foi realizada por Michelangelo entre 1501 e 1504, e seu original se encontra na Galeria da Academia de Florença.



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