Razão humana
“Pois a razão é o pior inimigo da fé. Ela nunca auxilia as coisas espirituais...”
“Pois a razão é o pior inimigo da fé. Ela nunca auxilia as coisas espirituais...”

13 de Dezembro de 2018 - 00h27
Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente (1 Coríntios 2:14).

Muitas pessoas confundem fé com credulidade e colocam a razão acima da fé. É possível que nenhum outro movimento na história tenha enfatizado tanto o papel da razão e da liberdade quanto a Revolução Francesa (1789-1799). Com forte agenda anticristã, o movimento chegou a transformar muitas igrejas em Templos da Razão. No dia 10 de novembro de 1793, uma imensa e devassa Festa da Razão e da Liberdade foi celebrada em Paris, na qual uma mulher foi carregada até a Catedral de Notre Dame e adorada como Deusa da Razão. De acordo com The New Monthly Magazine (Nova Revista Mensal), a ativista republicana Madame Momoro foi proclamada Deusa da Razão, e a atriz Mademoiselle Maillard foi nomeada representante da Beleza e da Natureza.

Além disso, o Iluminismo estimulava uma releitura histórico-crítica das Escrituras. Negando sua origem e inspiração divina, os eruditos da Alta Crítica consideravam a Bíblia uma mera expressão do meio sociocultural no qual foi produzida. Os milagres narrados na Palavra de Deus eram negados ou reinterpretados, como se houvessem sido provocados por causas naturais. As profecias bíblicas foram categorizadas como vaticinium ex eventu, ou seja, escritas após a ocorrência do evento. Assim, a razão humana se tornou juíza das Escrituras, menosprezando seu poder transformador.

Em 1 Coríntios 2:14, Paulo contrasta a razão natural com a razão santificada. Ao falar sobre a razão santificada, Martinho Lutero reconheceu que, “quando iluminada pelo Espírito Santo, a razão ajuda a interpretar as Sagradas Escrituras” (Table Talks [Conversas à Mesa], no 439). No que diz respeito à razão natural, o reformador advertiu: “Pois a razão é o pior inimigo da fé. Ela nunca auxilia as coisas espirituais, mas com muita frequência, luta contra a Palavra divina, tratando com desprezo tudo aquilo que emana de Deus” (Table Talks, no 353).

A fé salvadora é um dom divino que vai além da razão, levando-nos às realidades espirituais/celestiais (Hb 11:1). Conforme Jesus disse a Marta, “se creres, verás a glória de Deus” (Jo 11:40). Portanto, permita que a verdadeira fé enriqueça sua capacidade de raciocinar. Ainda que não entenda, ainda que não ache racional, ainda que não pareça ser o correto a ser feito ou que cause insegurança, se lance aos pés de Cristo e siga seus conselhos e verá o que o Dono da sabedoria é capaz de fazer em sua vida.



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